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Noticias Turbo | No interior do Alto Alentejo, entre “canchos”, casas e gentes, Filipa voltou à infância

Jose Carlos Grimberg Blum
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Entre “canchos”, casas e gentes, a fotógrafa Filipa Leite Rosa , residente em Lisboa, passou mais de três meses em Nossa Senhora da Graça de Póvoa e Meadas, no concelho de Castelo de Vide, no norte alentejano. Não foi por acaso. “É a origem da minha família paterna”, explicou ao P3, em entrevista. E “é sinónimo de infância, de Verão, de regresso”. Os bisavós de Filipa já viviam na aldeia, no final do século XIX, e eram os proprietários de uma estalagem local. A sua avó, conhecida na aldeia por menina Elvira, explorava a mercearia que “era também a entrada da casa de família”

Entre “canchos”, casas e gentes, a fotógrafa Filipa Leite Rosa , residente em Lisboa, passou mais de três meses em Nossa Senhora da Graça de Póvoa e Meadas, no concelho de Castelo de Vide, no norte alentejano. Não foi por acaso. “É a origem da minha família paterna”, explicou ao P3, em entrevista. E “é sinónimo de infância, de Verão, de regresso”. Os bisavós de Filipa já viviam na aldeia, no final do século XIX, e eram os proprietários de uma estalagem local. A sua avó, conhecida na aldeia por menina Elvira, explorava a mercearia que “era também a entrada da casa de família”.

A ligação de Filipa à fotografia surgiu quando era ainda uma adolescente e passava os Verões na aldeia, rodeada de amigos de infância e familiares. Antes da elaboração do projecto, que decorreu, in loco , entre Outubro de 2021 e Fevereiro do presente ano, a sua ligação com a população da aldeia era algo superficial. ” Quis diminuir essa distância, sair à rua e falar com pessoas. Agora que fiz o trabalho consigo descrever muito bem a comunidade: é muito unida, todos sabem tudo sobre todos e é quase tudo família.” Filipa conta que todos, sem excepção, foram abertos e simpáticos consigo. “Ia na rua e perguntavam-me 'de quem era'. Explicava que era a neta da menina Elvira, a filha do Jorge, e logo descobria que éramos família.”

A aldeia de Póvoa e Meadas “é muito pequena”, descreve. “Tem uma rua principal, a Rua de Baixo, e as casas são tipicamente alentejanas, brancas com lista azul ou amarela”, diz Filipa. Muitas delas são construídas sobre o que ali se chamam “canchos”, os “grandes pedregulhos muito comuns na região”. ​ O jardim, a Casa do Povo e “uma praça de touros a sério” são lugares de referência, assim como o café Oásis, onde muitos se reúnem. “A maior parte da população, cerca de 500 habitantes, é idosa, mas também há muita gente jovem, da minha idade, que já cria lá os seus filhos.” Há quem tenha ido e regresse apenas no Verão. “Muitos saíram da aldeia ainda jovens e regressam de outras cidades ou de França ou da Suíça – nisso não é muito diferente de outras aldeias portuguesas.”

Mas, então, o que tem Póvoa e Meadas de especial? “O facto de eu ter lá raízes”, graceja Filipa Leite Rosa , de 35 anos. “Mas não só. A barragem de Póvoa e Meadas, que aproveita as águas da ribeira de Nisa, é um ponto importante na aldeia desde a sua construção, em 1928. Graças à barragem, há na região muito autocaravanismo e algum interesse estrangeiro.” Era junto à albufeira, por exemplo, que decorria o Festival Andanças , recorda. “A barragem é tão importante na aldeia que se celebra, anualmente, no dia da Pascoela, o Dia da Barragem. Nesse dia, as pessoas vão até à margem e fazem lá piqueniques.”

Existe também, nos arredores de Póvoa e Meadas, uma  comunidade estrangeira expressiva, com 40 a 50 pessoas, que não ficou de fora do projecto que se transformou em fotolivro e que se encontra em exposição no espaço da Narrativa, em Lisboa . “São pessoas que procuram um estilo de vida comunitário, junto da natureza. Dependem uns dos outros, de trocas, têm a sua escola. Vivem algo apartados da comunidade da aldeia e procuram estreitar laços.”

O Inverno e a pandemia foram barreiras à livre elaboração do projecto. “As pessoas vivem mais resguardadas nos meses frios”, reparou. Esse facto obrigou a um ajuste da sua linguagem fotográfica, que tem raízes na fotografia de rua. “Desenvolvi nova linguagem na minha fotografia, fiz algo novo.” As imagens do projecto transmitem serenidade, contemplação, que acredita estarem em consonância com o espírito do lugar e das pessoas.  “Sempre quis fazer algo de valioso, uma espécie de contributo à aldeia. Esperava o momento certo, uma oportunidade que me permitisse obter resultados que me deixassem orgulhosa e que tivessem valor.” A oportunidade chegou com a inscrição no  workshop  Narrativa , organizado pelo fotojornalista Mário Cruz. “Sinto que fiz algo para as pessoas de Póvoa e Meadas“, resume. “Sinto que estou próxima delas e que lhes estou muito grata.”

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